"Alexa+" marca o início de uma nova era de anúncios conversacionais na Amazon

A Amazon deu um novo passo na evolução do seu ecossistema digital com o lançamento do Alexa+, uma versão melhorada do seu assistente de voz, impulsionada por inteligência artificial generativa. Este novo serviço não está apenas disponível nos dispositivos Echo, mas também se expande para sistemas de infoentretenimento em automóveis, Smart TVs e outros dispositivos compatíveis com Alexa.

O objetivo desta atualização é tornar a interação por voz tão intuitiva e funcional quanto o controlo tátil, uma visão que a Amazon tem tentado materializar há uma década. No entanto, a verdadeira questão que surge com este lançamento não é apenas o que o Alexa+ pode fazer, mas sim como a Amazon planeia rentabilizar este formato.

Uma estratégia comercial baseada em subscrição e comércio conversacional

O Alexa+ é apresentado como um serviço de subscrição com um custo de 19,99 dólares por mês, embora seja gratuito para os membros do Amazon Prime (que pagam 14,99 dólares por mês ou 139 dólares por ano pela sua subscrição anual). Esta estratégia visa reforçar o valor do Prime e incentivar as compras através de comandos de voz, facilitando ainda mais a conversão de utilizadores em clientes recorrentes.

Mas o modelo de subscrição pode não ser a única via de monetização. Com a crescente dependência da Amazon no mercado publicitário, muitos especialistas consideram que o Alexa+ pode tornar-se um novo espaço para a inserção de anúncios. “Acreditamos que há uma necessidade do ponto de vista dos parceiros comerciais da Amazon, mas também uma oportunidade para a marca em termos de satisfazer as expectativas do consumidor”, afirma Sue Benson, CEO e fundadora da The Behaviours Agency, ao Digiday.

Um novo espaço publicitário no ecossistema da Amazon?

Segundo este meio, até agora, a Amazon tem vindo a experimentar anúncios em dispositivos com ecrã, como o Echo Show, e recomendações de áudio nos seus altifalantes inteligentes. Isto permitiu à empresa desenvolver uma infraestrutura publicitária que poderá ser ampliada com o Alexa+, oferecendo novas oportunidades para os anunciantes se conectarem com os consumidores através de interações de voz mais personalizadas.

O alcance desta plataforma já é significativo. Embora a Amazon não tenha revelado números recentes sobre a adoção do Alexa, em 2019 informou que tinha vendido mais de 100 milhões de dispositivos compatíveis. Além disso, a Loup Ventures previu que 75% dos lares nos EUA terão altifalantes inteligentes até 2025, o que sugere que a Amazon dispõe de uma base de utilizadores suficientemente ampla para testar novos formatos publicitários.

Monetização vs. experiência do utilizador

Apesar do potencial comercial, a Amazon deve avançar com cautela. A inclusão de anúncios numa experiência de utilizador baseada na voz pode gerar rejeição se não for implementada de forma fluida e não intrusiva. “O risco de afastar os utilizadores que ainda não veem o verdadeiro potencial dos assistentes de voz é real”, alerta Joel Daly, cofundador da Artemis Ward. “A combinação de publicidade personalizada com dispositivos de escuta permanente pode aumentar as preocupações com a privacidade e desencorajar a adoção”, reforça o especialista.

Por sua vez, Frank Maguire, SVP de produto e sustentabilidade na Equativ, sublinha que, embora a Amazon tenha capacidade para inserir anúncios no Alexa+, deve ponderar se realmente o deve fazer. “Só porque uma empresa pode fazê-lo, não significa que o deva fazer”, afirma Maguire.

Para já, a Amazon parece estar a adotar uma estratégia gradual, priorizando a melhoria da experiência do utilizador com inteligência artificial antes de expandir as suas opções publicitárias. No entanto, com o papel crescente da publicidade no seu modelo de negócio, é apenas uma questão de tempo até que o Alexa+ se torne uma peça-chave no ecossistema publicitário da Amazon.

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