O que são os “Agentes de IA” e por que marcas, agências e meios já os estão a adotar?

O mundo do marketing e dos meios de comunicação enfrenta um novo conceito que promete transformar os fluxos de trabalho criativos e operacionais: os agentes de inteligência artificial. Embora o termo possa soar como a mais recente moda no universo tecnológico, a verdade é que está a ganhar terreno rapidamente entre anunciantes, agências e publishers.

Empresas como OpenAI, Adobe ou Monks já estão a desenvolver e implementar soluções baseadas em sistemas ‘agentic’, onde múltiplos agentes de IA trabalham de forma autónoma e coordenada para executar tarefas que antes exigiam processos manuais e colaborativos entre humanos. A ideia não é simplesmente substituir ferramentas existentes, mas criar novas estruturas de trabalho automatizadas que operem com mínima ou nenhuma intervenção humana.

O que é exatamente uma ‘IA agentic’?

Um agente de IA é um sistema baseado em modelos generativos (como os LLM) concebido para realizar tarefas específicas. No entanto, quando falamos de ‘IA agentic’, o conceito vai mais além: trata-se de conjuntos de agentes que colaboram, organizam os seus próprios passos de execução e tomam decisões para atingir um objetivo.

Ao contrário dos fluxos de trabalho automatizados tradicionais, os sistemas de ‘IA agentic’ podem estruturar o seu próprio processo de execução, desde o planeamento até à entrega de resultados. Tal como define a empresa Anthropic, são “sistemas em que os LLM dirigem dinamicamente a sua própria utilização de ferramentas e processos”.

Aplicações práticas: do briefing ao anúncio sem intervenção humana

Um dos exemplos mais ilustrativos vem de uma colaboração entre Monks, Nvidia e Puma: foi criado um anúncio de 30 segundos inteiramente desenvolvido por agentes de IA. Desde o guião até ao storyboard e à direção de fotografia, tudo foi produzido por agentes que colaboraram entre si, tendo como único input inicial o documento de briefing.

“Foi escrito por agentes de IA. O guião, a direção, o moodboard… tudo foi feito pelos agentes e depois devolvido aos humanos para revisão”, explica Wesley ter Haar, Chief AI Officer da Monks, ao jornal Digiday.

Além disso, a Monks desenvolveu o ‘Clarity’, uma ferramenta de media mix modeling baseada em IA agentic, capaz de avaliar milhares de previsões e gerar planos de meios baseados nos modelos mais eficientes. Embora ainda não tenha sido lançada em larga escala, é um claro exemplo do que está para vir.

E os publishers?

Para os publishers e meios de comunicação, o uso deste tipo de agentes ainda está numa fase inicial. O risco de "alucinações" (erros dos LLM ao gerar informações não verificadas) continua a ser uma barreira importante. No entanto, algumas aplicações começam a abrir caminho:

  • Agentes de SEO que, dentro do CMS, oferecem sugestões automáticas de títulos, palavras-chave e metadescrições.

  • Agentes redatores, que geram um primeiro rascunho a partir de materiais recolhidos pelo jornalista, como transcrições de áudio ou notas de campo, tudo dentro de um ambiente fechado e seguro para proteger as fontes.

Um futuro promissor… mas ainda distante

O potencial da IA agentic entusiasma pela sua capacidade de libertar tempo para tarefas mais estratégicas e criativas. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer. “Existe uma lacuna de confiança que precisamos de resolver antes de isto ser implementado em larga escala”, afirma Jon Roberts, Chief Innovation Officer da Dotdash Meredith.

Por agora, a adoção real mantém-se cautelosa, especialmente nos meios de comunicação, devido a disputas de direitos de autor e às constantes mudanças nos fluxos de tráfego referencial. No entanto, tanto as agências como os anunciantes continuarão a explorar este novo território, atraídos pela possibilidade de delegar tarefas e receber resultados sem necessidade de intervenção humana direta.

“Podes delegar uma tarefa, deixá-la correr e voltar com um resultado pronto. Não sei quão perto estamos disso, mas é para aí que caminhamos.”